Dança política da vacina: o que está acontecendo?
- por Rica Inocente
- 23 de out. de 2020
- 14 min de leitura
Resumo da semana traz alguns dos fatos mais interessantes (e vergonhosos) dos últimos dias

O que há de melhor do que chegar na sexta-feira e receber um Resumo da Semana? Nada! A não ser ver o presidente do Brasil ceder a pressão dos fãs por causa de uma vacina que pode salvar a vida de milhões de pessoas.
Com certeza ninguém consegue competir com isso!
Mas não é tudo: tivemos contratação de estupradores por times importantes, senadores escondendo dinheiro em lugares onde o sol não bate e o retrocesso da liberdade de expressão.
A publicação do por Rica Inocente vem ficando cada vez mais interessante. Então, para não perder nada, confira as pautas mais relevantes dos últimos dias:
O dilema político da “vacina chinesa”
Tudo começou quando Jair Bolsonaro achou que devia prestar contas aos seus seguidores nas redes sociais, colocando em risco milhares de vidas brasileiras. Sem contar que, por pura birra, “não abre mão da ‘sua’ autoridade”.
Mas vamos do início. Como todos já sabem, o Instituto Butantan, junto com o laboratório chinês Sinovac, estão desenvolvendo a vacina CoronaVac, para combater o vírus do Covid-19.
O imunizante está sendo desenvolvido e testado no Brasil e seus responsáveis já mostraram que a vacina é segura e que tem mostrando um desempenho positivo no combate ao novo coronavírus.
Desde o início, o governador do estado de São Paulo, João Doria, se mostrou a favor da parceria e apoia a compra e distribuição do medicamento no sistema de saúde, para combater o vírus e imunizar a população.
Com isso, na manhã da última quarta-feira, 21 de outubro, o atual ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, confirmou a compra de 46 milhões de doses da vacina produzida pelo Butantan. Com o anúncio, Doria celebrou a atitude do governo e isso despertou um certo alvoroço dos bolsominions de plantão, que começaram a questionar o presidente da atitude do governo federal em comprar a “vacina da China”.
Daqui em diante começa a problemática. A estratégia bolsonarista está sendo construída sobre um pretexto político, não visando o bem-estar da população. No mesmo dia do anúncio da compra, Bolsonaro desautorizou Pazuello de prosseguir com a negociação dos medicamentos, que já havia sido discutido com ele anteriormente.
E para deixar a história mais sinistra ainda, o presidente não usou nenhum discurso coerente com seu posicionamento até então. Segundo ele, antes do imunizante ser disponibilizado para a população, ele deve ser - preste atenção - comprovado cientificamente pelo Ministério da Saúde e certificado pela Anvisa e que o povo brasileiro “não será cobaia de ninguém”.
Agora para e pense, a festa da hidroxicloroquina foi o que? Porque assim, o medicamento não tinha comprovação científica, piorava o quadro do paciente e ele fez propaganda abertamente em todas as suas redes sociais.
A jogada política do governante mostra que ele ainda não está preparado para o cargo, como nunca esteve. Como ele pode colocar a vida de milhões de pessoas em risco, anunciando um remédio sem eficácia alguma e barrando a compra de uma vacina que pode salvar toda a população?
A quarta-feira foi tão agitada, que até o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, testou positivo para o Covid-19. A gente chegou ao ápice da pandemia e o governo insiste em tratá-la como uma gripezinha qualquer. Sem contar que muitas das declarações do presidente podem ser consideradas preconceituosas.
Entre uma fala ou outra para imprensa, Bolsonaro afirmou não fechar o contrato pois “não acredita que ela transmita segurança suficiente para população pela sua origem”. Quer dizer, a vacina da China não é segura, mas um medicamento que piora o quadro dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é.
O fato é que agora os brasileiros estão na mão da politicagem para saber se vamos ser imunizados ou não. Se depender dos governadores de cada estado, as vacinas vão ser compradas para a população de acordo com cada parceria que estão fechando. Claro que todas as operações só vão ser colocadas em práticas depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), teste os imunizantes e autorize o uso em território nacional.
Cães salvando a humanidade
O melhor amigo do homem vem contribuindo para a nossa sobrevivência a mais tempo do que podemos contabilizar. Países como a Finlândia, Líbano, Argentina, Chile, Alemanha, Estados Unidos, Colômbia e México vem treinando cães para detectar pessoas infectadas com o novo coronavírus.
E como isso pode ser possível?
Os nossos ‘doguinhos’ utilizam 40% do cérebro para processar os odores existentes, por isso são tão bons farejadores. Eles conseguem distinguir cheiros que o ser humano não consegue nem identificar.
Através dos 220 milhões de receptores olfativos, o animal consegue identificar partículas específicas de cheiros e, entre eles, o “cheiro do vírus” no corpo. Entretanto, isso não significa que o coronavírus solta um odor específico, mas sim que a atuação dele no nosso corpo gera uma reação química que faz com que o nosso suor tenha um odor específico.
Com isso, o cachorro pode identificar pessoas doentes dias antes dos primeiros sintomas aparecerem. Os cães estãos sendo treinados para reconhecer esses odores através do suor, da saliva e da urina.
A estratégia tem se mostrado tão eficiente que a Finlândia está testando um programa piloto no aeroporto de Helsinque, onde os cães rastreiam passageiros que possam estar infectados com o Covid-19.
E essa não é a primeira vez que os animais são utilizados para combater doenças. A grande capacidade olfativa dos cães já foram úteis para identificar diabetes, câncer de mama e até Parkinson.
Um pontinho de esperança na nossa luta contra o novo coronavírus.
Como anda a pandemia?
Mas toda a discussão acima não deve deixar o ponto principal ser ofuscado. O Brasil conta com 5.326.103 pacientes infectados e 155.975 vidas perdidas para o novo coronavírus.
Caso você ainda não tenha se comovido pela situação que vivemos, sugiro dar uma olhada nesse especial do G1 sobre as vidas perdidas na pandemia.
Bolsonaro em Campinas
Por fim, em meio a toda polêmica das compras de Vacina, o queridíssimo presidente do Brasil fez uma visita ao Sirus, o laboratório de luz síncrotron de 4ª geração, construído no polo tecnológico de Campinas, na quarta-feira, 21 de outubro.
Para quem não conhece, o Sirius é um acelerador de partículas que produz luz síncrotron, capaz de analizar diversos tipos de partículas. Ele é a primeira fonte de luz da 4ª geração do mundo e sua magnitude o torna referência para pesquisas internacionais.
Quanto ao Bolsonaro, ele veio ao laboratório para inaugurar o centro de pesquisas, que vem sendo utilizado com caráter emergencial para encontrar uma solução para o novo coronavírus.
O centro de pesquisas custou R$ 1,8 bilhão para ser construído. Ele possui 68 mil m² de construção e suas diversas fontes de luz vão poder ser utilizadas para estudar diversas pautas relevantes para a sociedade, como:
desenvolvimento de tratamentos e remédios para lidar com o Alzheimer, Parkinson e outras doenças degenerativas;
estudos de elementos que podem diminuir o orçamento e aumentar a produção de áreas como o pré-sal;
desenvolver baterias com maior duração e menor curso;
análises que vão aprimorar a agricultura;
descobrir como funciona o vírus do Covid-19;
entre outros avanços científicos;
O Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM) espera receber propostas internacionais para uso das linhas para o desenvolvimento de diversas pesquisas.
Fonte: G1 | G1 | BCC Brasil | Jornal Nacional | G1 | G1
Dinheiro onde a luz não bate
O final da corrupção do governo Bolsonaro tem se mostrado perfeitamente esplêndido, como diria a personagem Flora, da série da Netflix “A Maldição da Mansão Bly”.
Na quarta-feira da semana passada, 14 de outubro, o senador Chico Rodrigues, até então, vice-líder do de Jair, foi flagrado em uma operação da Polícia Federal com R$ 33 mil dentro das roupas íntimas. A ação fazia parte de uma investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos para o combate do novo coronavírus.
O mais hilário de tudo, é que Chico fazia parte de uma comissão do Congresso Nacional que monitorava o uso do dinheiro público no combate à pandemia. Não pode existir fato mais contraditório que esse, a não ser Bolsonaro continuar afirmando que não existe corrupção no seu governo. Aliás foi isso que ele declarou quando questionado sobre o fato e disse que não tem nada a ver com a situação. O senador pediu afastamento do cargo e disse que vai provar a sua inocência.
Em um relatório da Polícia Federal divulgado na quinta-feira, 22 de outubro, os investigadores apontam que Chico agia como um “gestor paralelo” da Secretaria de Saúde de Roraima. Em resposta, a defensoria do senador afirmou que ele nunca usou do cargo para obter vantagem pessoal. Entretanto, os R$ 33 mil na cueca dizem o contrário.
Mas nada disso importa, já que a corrupção chegou ao final!
Contratação de Robinho e os movimentos feministas
No final de semana retrasado, entre os dias 10 e 11 de outubro, o Santos anunciou a contratação temporária de Robinho. Mas aí você me pergunta, o que o mundo do futebol te causou para você vir falar dele no por Rica Inocente?
O fato é que se você não acompanhou as redes sociais nos últimos dias, você não tem noção de como o homem é privilegiado em todas as suas instâncias. Robinho está sendo condenado na Justiça Italiana, em primeira instância, a nove anos de prisão por violência sexual contra uma jovem.
O crime aconteceu em Milão, em 2013, quando o jogador, mais alguns amigos, estavam em uma boate italiana. A vítima teria ido ao local para comemorar o aniversário quando foi agredida pelo grupo em um camarote onde os criminosos estavam.
A contratação do Santos foi repudiada por toda a mídia, pois o caso era público e todos sabiam que o jogador já havia sido condenado. Mas o clube não se manifestou a respeito e até comemorou a volta de Robinho ao time.
O pior veio quando o portal Globo Esporte publicou com exclusividade trechos da investigação italiana, que continham áudios de escutas que foram implantadas no carro e no telefone de Robinho.
As falas são extremamente nojentas e deixam claro que todos sabiam da condição da jovem quando foi violentada. Com a matéria, os patrocinadores do Santos começaram a se posicionar a respeito da contratação e caso o clube não voltasse a trás, eles iriam cortar a parceria, o que chegou a acontecer com algumas empresas.
Diante da magnitude que o caso ganhou no Brasil, o jogador deu uma entrevista ao UOL Esportes, onde afirmou que não fez nada de errado, a não ser trair a esposa e que seu contato com a vítima foi consensual, apesar dela estar desacordada.
Além disso, ele disse a pior frase que podia sair da boca de um ser humano que foi a “infelizmente existe esse movimento feminista”. Isso só revoltou mais a população de bom senso.
O caso reacendeu a discussão de como o homem é visto na sociedade. Mais uma vez “perdoamos” o agressor e incriminam uma vítima por sofrer violência. O Santos não voltou a atrás por pura consciência, eles voltaram atrás porque a contratação de Robinho ia pesar nos cofres com a falta dos patrocínios.
Enquanto continuarmos com esse pensamento, os casos comentados no próximo tópico vão continuar em ascensão.
Fonte: Fantástico | UOL Esportes | Globo Esportes | Globo Esportes
Um estupro a cada 8 minutos
Um dos motivo para recriminar as atitudes de Robinho e do clube ao recontratar o jogador são os dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, compilando as informações das Secretarias Estaduais de Segurança Pública e/ou Defesa Social dos estados.
O documento aponta que a cada 8 minutos uma pessoa é estuprada no Brasil. No último relatório do gênero, divulgado em 2015, o número era de uma a cada 11 minutos. Perdemos 3 minutos de vida.
E não é só isso, o relatório, 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, mostra que os casos de homicídios dolosos de mulheres e feminicídios tiveram um salto no primeiro semestre de 2020, justamente os meses de maior intensidade do isolamento social:
entre os homicídios dolosos, quando há intenção de matar, foram registrados 1.861 casos, um aumento de 1,5%;
quanto às vítimas de feminicídios, o país registrou um aumento de 1,9%;
Mas você que lamenta os movimentos feministas pode me pergunta o porquê da comoção, já que as taxas são tão baixas em comparação a outros casos.
O fato que todos precisam entender é que a mulher morre, é agredida, estuprada ou subjugada de qualquer outra forma, porque o homem acredita que ela é menos que ele e que isso dá o direito dele fazer qualquer coisa contra ela.
Em pleno século 21 as pessoas ainda enxergam a mulher como uma propriedade. “Não quer mais ficar comigo? Você morre!”, “Me dispensou na balada? Você morre!”, “Não me respeitou? Você morre!”
Os movimentos feministas não estão aí para odiar os homens, mas sim para fazer vocês entenderem que todos nós temos os mesmos direitos. Não só as mulheres, mas todos os grupos que são minorias.
Outros dados alarmantes que foram apresentados pelo relatório são:
uma mulher foi agredida a cada 2 minutos em 2019. Foram 266.310 registro de violência doméstica, um aumento de 5,2% em comparação ao último relatório;
em 2019 houve 66.123 casos de estupro e estupro de vulneráveis. Sendo que 57,9% das vítimas tinham no máximo 13 anos e 85,7 eram do sexo feminino (homens também podem ser agredidos sexualmente);
em 2019 houve 1.326 registros de feminicídio, entre elas 66,6% eram negras, 56,2% tinham entre 20 e 39 anos e 89,9% foram mortas por companheiros ou ex;
Me pergunto quando as mulheres terão paz.
Fonte: UOL
Ameaça a liberdade de imprensa
O Brasil, com seus governadores, entra agora em uma nova fase da política: a restrição à liberdade de imprensa.
Atualmente, existem 3,9 bilhões de pessoas no mundo que vivem em regimes políticos sob crise de liberdade de expressão. Com atitudes como hostilizar jornalistas em coletiva ou disseminar notícias falsas como água, o Brasil deixa de fazer parte dos países classificados como “abertos” e entram para o grupo de nações que restringem as garantias de direito a liberdade de imprensa.
Para quem se formou como jornalista, como a autora desse blog, isso é uma vergonha.
Durante a campanha eleitoral, entre todas as falas ridículas de Bolsonaro, uma delas era de que o Brasil não iria se tornar uma Venezuela, mas “guess what”, a nova posição do Brasil no ranking coloca-o próximo a Venezuela em questões a liberdade de expressão.
As informações são do levantamento global da entidade Artigo 19, que divulgou os dados na segunda-feira, 19 de outubro. O documento mostra que o Brasil já caminhava para esse patamar a muito tempo, mas que o processo acelerou com a chegada de Bolsonaro à presidência no começo de 2019.
O perigo da ameaça à liberdade de imprensa foi exposto durante a pandemia do novo coronavírus, quando o sistema público tentou ocultar a verdadeira magnitude do vírus, assim como afirmar que a situação estava sob controle, quando na verdade varria milhões por dias.
Sem contar as diversas mentiras jogadas na rede para que a população se nutrisse de informações controversas e duvidosas.
Outro fator são os ataques à imprensa e, diretamente, a jornalistas. A ONG francesa, Repórteres sem Fronteiras (RSF), declarou que o governo de Jair coloca em prática “uma série de mecanismos de censura indireta”, tornando o jornalismo uma profissão de risco.
O presidente, juntamente com aliados e sua família, demonstra uma postura hostil aos profissionais da comunicação. Durante a pandemia, alguns veículos, como o Estadão, Folha de S. Paulo, UOL, entre outros, retiraram seus profissionais da cobertura do Palácio do Planalto, após um fotógrafo do Estadão e o motorista do mesmo veículo, serem agredidos por apoiadores de Bolsonaro.
O comportamento radical do governante coloca em risco não apenas os profissionais do ramo como também o serviço de informação. Nunca vimos antes um esforço tão grande para explicar a população o que é uma fake news. E pior do que desmentir as informações erradas é tentar convencer a população a acreditar nas notícias reais.
O movimento de ataques aos veículos de comunicação se tornou tão frequente, que os seguidores mais fiéis de Bolsonaro passaram a se informar apenas por grupos de WhatsApp e páginas duvidosas do Facebook.
Vivemos um tempo tão caótico que os filhos tem que explicar aos pais quais são os conteúdos saudáveis que podem ser acessados na internet. Qual será a próxima etapa da evolução?
O perigo da intolerância
E por falar de liberdade de imprensa, a França foi palco de um acontecimento bizarro ligado a liberdade de expressão na semana retrasada. Durante uma aula sobre o tema, o professor Samuel Paty mostrou aos seus alunos uma charge do profeta Maomé decapitado.
A simples exemplificação do assunto foi o necessário para extremistas muçulmanos decapitarem, e eu repito, DECAPITAREM, o professor na sexta-feira retrasada, 16 de outubro. O caso levou multidões às ruas e reacendeu as discussões acerca dos ataques terroristas contra a sociedade ocidental.
Para os muçulmanos, qualquer caracterização do profeta Maomé é considerado uma ofensa, mas isso não explica cortar fora a cabeça de um educador por ensinar seus alunos sobre liberdade de expressão.
No domingo após o ataque, 18 de outubro, a Praça da República, em Paris, recebeu diversos manifestantes para homenagear Samuel Paty e protestar contra o incidente e conscientizar a população sobre os perigos da intolerância.
Diversos professores estiveram na ação, pedindo por mais respeito e segurança aos profissionais, uma vez que agora correm o risco de serem decapitados por extremistas. Muitos cartazes traziam frases do tipo “sou professor” ou falas mostrando o desprezo da sociedade e do sistema contra eles.
O crime contra o professor não foi o primeiro ataque extremista que a França sofreu devido a questão de liberdade de expressão. Em 2015 o jornal Charlie Hebdo sofreu um atentado após a publicação de diversas charges que se referiam a Maomé.
A publicação é uma revista satírica, que publica semanalmente charges, crônicas e outros conteúdos opinativos e seu direito de expressar um pensamento levou terroristas a matar doze pessoas, entre colaboradores do jornal e policiais que atenderam ao chamado.
O presidente do país, Emmanuel Macron, repudiou o fato e visitou a escola onde Paty dava aulas sobre liberdade de expressão. Além disso, o governo francês também autorizou as manifestações na capital, apesar das fortes restrições de aglomerações devido ao aumento dos casos do novo coronavírus.
O que aconteceu na França é um foco de luz sobre o perigo da ignorância contra a liberdade de imprensa e de expressão. Quanto tempo até um lunático tentar decapitar outro professor ou até mesmo um jornalista?
Viver em sociedade é aceitar as opiniões, por mais contrárias que elas possam ser das suas. O extremismo religioso, cultural ou qualquer outro que seja coloca em risco da vida de outras pessoas, que podem acabar igual Samuel, que ensinava a seus alunos sobre opiniões e pensamentos diversos, que eles existem e devem ser respeitados.
Brasil e seu papel de trouxa diante dos EUA
Para babar mais um pouco do presidente norte-americano, Bolsonaro assinou um acordo de facilitação do comércio com a potência, além de uma aliança contra a corrupção, já que o Brasil vem mandando muito bem no combate do desvio de recursos públicos.
O trato foi assinado na segunda-feira, 19 de outubro, quando Jair e Donald firmaram o Acordo de Comércio e Cooperação Econômica (ATEC - sigla em inglês). De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, se trata de uma parceria “ambiciosa e moderna”.
Entre os pontos acordados estão:
facilitação do comércio e cooperação aduaneira;
boas práticas regulatórias e combate à corrupção;
redução da burocracia na importação e exportação, além de encurtar os prazos e custos das operações realizadas;
esforços federais para tornar o mercado Brasileiro mais transparente, previsíveis e aberto à concorrência;
O ATEC é um acordo bilateral que vem sendo discutido desde 2011, mas que só foi posto em prática em 2019, através de diversas negociações entre Bolsonaro e Trump, que lançaram a “Parceria para a Prosperidade” que tem como intuito fortalecer os laços entre os dois países e formar um amplo acordo comercial.
O que acontece caso Biden ganhe as eleições?
Mas tudo isso não vai servir de nada caso Joe leve os votos das eleições deste ano.
A linha de pensamento de Trump e Bolsonaro é o que une os dois no mesmo patamar. Mas diferente do brasileiro, o americano vem enrolando o Brasil direitinho desde que aceitou a “aproximação amigável” de Jair para fortalecer os laços comerciais com os EUA.
O acordo firmado na última semana não chega nem aos pés do que o Itamaraty estava propondo. Os participantes do governo acreditam que essa “aliança privilegiada” que possuem com os norte-americanos os colocam em uma posição favorável, mas na verdade o acordo nem é isso tudo.
Caso reeleito, Trump continuará tratando o Brasil com o mesmo desprezo que possui hoje, aceitando parcerias chulas como as que vimos até então para massagear o ego de Bolsonaro, mas não vai passar disso.
O perigo mesmo está no caso se Joe Biden levar a Casa Branca, pois os democratas já afirmaram que não tem interesse em manter pactos comerciais com o Brasil sob regência do Bolsonaro. Em um primeiro momento o ex-vice presidente de Obama não iria quebrar as alianças firmadas até então.
Mas os especialistas acreditam que, caso ganhe, Biden levante discussões relevantes em relação ao Brasil, como as políticas ambientais, direitos humanos e trabalhistas, além de outras pautas negligenciadas pelo governo atual. A manutenção dos acordos só vão se manter caso Bolsonaro aceite ceder aos novos termos.
A pauta é tão preocupante que no debate presidencial de setembro, o democrata se posicionou contra a destruição da Amazônia e que iria iniciar um fundo global para preservar a floresta e que, caso isso não surtisse efeito, começaria a impor sanções econômicas contro o Brasil.
É melhor o Bolsonaro começar a rever seus preceitos, uma vez que Biden está na frente de Trump na corrida eleitoral. Durante a produção desse texto, os dois candidatos debatiam sobre o coronavírus, segurança e outros temas relevantes para os eleitores.
Trump trabalhou um discurso de acusações e ataques contra a família de Biden, enquanto o candidato de oposição apresentou soluções às perguntas da intermediária e respondeu com classe os argumentos de republicano. O debate completo pode ser assistido aqui.
Até o momento de finalização deste conteúdo, nenhum dos dois mandaram ninguém calar a boca!
Fonte: UOL | BBC Brasil
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